Oi gente, estou de volta com duas notícias: uma boa, outra ruim. Demorei para voltar aqui, né? Reclame com meu pai. Já estou até pensando em contratar outro redator, menos ocupado. Mas, tudo bem, desta vez passa.
Ah! As notícias! A boa é sobre minhas poltronas. Tenho duas, uma no escritório de meu pai e outra em meu quarto. As poltronas foram de minha bisavó e devem ter uns cem anos. Coisa boa, de molas e tudo mais. É nelas que passo a maior parte do tempo.
O problema é que as poltronas estavam um verdadeiro nojo. Elas eram cobertas de um tecido de cor lisa e só de olhar para elas já manchava. Além de pegar mal para um garotão como eu (o tecido era cor-de-rosa), costumo engatinhar pela casa e por isso minhas mãos nem sempre estão limpinhas. Eu fatalmente acabava limpando as mãos nos braços das poltronas.
Além disso, tenho algum problema com líquidos. Um é a saliva, que tenho o péssimo hábito de ir juntando dentro da boca. Na maior parte das vezes eu engulo, mas às vezes esqueço e, se dou uma risada, ela sai como esguicho de lava rápido. Chuáááááá!
Outro problema líquido é na extremidade oposta. Sabe como é, nem sempre dá para segurar aquele xixizinho. É raro, mas já aconteceu algumas vezes. Aí precisa lavar o assento da poltrona, secar e coisa e tal. Antes que me pergunte, só colocam fralda em mim para dormir, porque consigo me controlar durante o dia. Ou quase.
Aí já pode imaginar o resultado. Poltronas de tecido claro, liso, recebendo saliva e xixi de vez em quando... um nojo! Então meu pai e minha irmã escolheram um tecido super bacana, azul petróleo bem escuro, tipo xadrez em tons da mesma cor com uns apliques pequenininhos e branco e marrom. O tapeceiro cobriu e ficaram lindonas como eu!
A notícia ruim? Torci o pé. Chato, né? Agora não posso me apoiar para ficar em pé segurando em algum lugar na hora de sentar na privada, tomar banho ou mudar de lugar. Até descer da poltrona e engatinhar eu não posso.
Resultado? Meu pai me abraça, levanta, coloca na cadeira de rodas, me abraça, levanta, tira, abraça, levanta... O bom disso é que estou sendo abraçado mais vezes do que o normal. Vou ficar por aqui, mas antes quero mandar para você aquele abraço.
Portadores de Necessidades Especiais ROBERTO BOLONHINI JUNIOR Ao utilizar uma linguagem clara e simples, o autor explica as leis e os direitos garantidos aos portadores de deficiência. É uma obra de referência que traça o perfil dessas pessoas e aborda sua interação social, além de apontar os meios judiciais de sua tutela ou proteção. O conteúdo certamente despertará a cidadania das pessoas e ajudará na resolução de problemas convivenciais enfrentados pelos portadores de necessidades especiais. Único livro do mercado que esclarece tudo o que a legislação brasileira oferece de benefícios a portadores de necessidades especiais e seus familiares.
Oi Pedro, dei uma sumida, mas não te esqueci. Saí de férias, passei Natal e Ano Novo fora. Estou de novo na área e desejo pra vc e sua familia uma 2005 especial. Beijos
fiquei imensamente feliz por ter podido conhecer um pouco de sua história.
Sobre sua poltrona... meu pai também tem uma "azulona" que nem vc... mas ele tb a suja de vez enquando, pois ele tem aquelas manias de gente que não gosta de ter cabelos brancos e fica pintando... o pro´blema é que a tinta acaba ficando mais na poltrona que nos cabelos. Fica um noje tb... estamos com projetos para trocar o estofamento dela tb! :)
Abraços fraternos e boa sorte com sua poltrona nova!
conhecer você e a criatividade de alguém é fascinante. Tornar cômica, com um jeito simples de agradar sem se preocupar com tamanho, cor e estilo, todas as possíveis situações cotidianas é realmente muito interessante. Senti um grande prazer em dividir uma parte do meu final de semana rindo de suas hilárias histórias. Um grande abraço e um natal no seu sofá charmoso... ah! por que ele é azul escuro?
Enviado por LUCINEIDE TORRES em 18/12/2004
Pedro, gostei tanto da sua idéia do "Dia do Pãe", que criei a comunidade "Sou Pãe". Idéia sua, espero que goste! beijos Rita Morais
Oi Pedro!!!!! Q lindo o seu blog...ameeeei!!! Minha mãe acabou d comentar aki também! É legal ver q ainda existem pessoas como sei pai neh? Um beeeeiiijaaaummmm bem grand pra vc =*******
Oi Pedro, Sou nova no orkut e estou adorando, pois possibilitou conhecer pessoas como vc e seu pai. Que sorte a sua ganhar pai e irmãos como os seus, principalmente depois de tudo que passou. Mas tenho certeza que Deus via tudo lá de cima, viu o quanto vc merece e mandou esse presentão. Seu pai deveria ganhar o prêmio "Melhor pai do mundo", e vc o troféu de "O mais alto astral". Minha filha está na escola mas assim que ela chegar vou mostrar a ela seu blog. O fotolog dela é ****://fotolog.terra.com.br/aninhaaa_ tenho certeza que vai adorar conhce-la. Ela é amiga, companheira, generosa. É a melhor filha do mundo. Ah! obrigada pela ideia de comemorarem o dia do "pãe" hehehe. Eu sou, e ficaria honrada! Um dia para pessoas como seu pai, eu e muitos outros. Falar em seu pai, acabei de mandar um e-mail pra ele. Ele é 10. Espero que ele me adicione. Parabéns pelo seu astral, pela sua bondade, pelo seu sorriso lindo. Estarei sempre em contato Muitos beijinhos Rita Morais
Oi PEDRINHO LINDO!Você ficou muito bem nessa foto parabéns!Acho que assim com tanto abraço você não vai querer sarar tão cedo ! Hihihi! E quem vai ficar com as costelas torcidas vai ser o papi né!?Bem brincadeirinha espero que você sare logo viu garotão bonito!E fale pro papai passar impermeabilizante no seu sofá é mais garantido!Assim ele pode durar mais uns 100 anos né! Bom final de semana com muita paz amor e boa recuperação! Beijokinhas docinhas em su amado e especial coração!
Olá Pedrinho, Tudo bem, garotão? Passei aqui agora só para enviar um super beijo nessa sua bochechona, pela comemoração ao Dia Internacional do Deficiente! Peça um presente ao seu pai, viu? Que Deus os protejam! Ah... sua poltrona tá lindona mesmo, viu? Beijos, Inaiá
Enviado por Inaiá em 03/12/2004
olá, Pedro, já estava com saudades, todos os dias procuro saber como voce está , e já estava preocupada e triste por não falar com vocÊ, quanto ao seu pé, logo estará bom, aproveite bem para ser carregado e abraçado, carinho é muito bom , e o papai é forte bijos da Luciana e Lia
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras. O livro é
publicado pela Editora Mondrian.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.