Gente, eu nem acredito! Meu pai fica por aí contando minha vida sem mais nem menos! Tudo bem, eu não ligo. Tinha até uma música que dizia, "Falem bem ou mal, mas falem de mim..." Geralmente falam bem, porque, modéstia à parte, sou muito simpático.
Desta vez foi numa entrevista para o site www.saci.org.br, que tem feito um trabalho muito legal de comunicação sobre o mundo das pessoas portadoras de deficiências. Lá, a Tatiana Thé, que entrevistou meu pai, começa me apresentando assim:
Pedro, 22 anos, não anda, fala ou enxerga, devido a uma paralisia cerebral. Nascido em um lar pobre, em condições precárias, vivia constantemente amarrado à uma cama para não cair. Passava a maior parte de seu tempo aos cuidados de sua avó, enquanto a mãe ficava pelas ruas da cidade. Quando a avó de Pedro morreu, sua mãe entregou-o à família de Mario Persona, consultor e autor de livros sobre marketing e negócios.
Hoje, Pedro faz parte da família Persona, vivendo em um ambiente repleto de carinho. Fã de rotinas, ele gosta de passar seu tempo ouvindo música e não resiste a roubar a coberta da cama do irmão quando está com frio.
Êta nóis! Tô ficando um bocado importante, né? Já sei! Você está curioso pra saber o que meu pai falou na entrevista, né? Então é melhor ir correndo ler no site do Saci. Depois aproveite para dar uma passeadinha por lá. Tem muita coisa interessante para ler e aprender.
Pedro, seu pai merece um Parabéns bem grande, porque você deve ser maravilhoso e ele está sabendo muito bem expressar a grandiosidade que é a convivência de vocês. Sou Terapeuta Ocupacional e já fazem mais de 11 anos que trabalho com jovens com deficit intelectual na APAE de Fortaleza, e numa dessas buscas por artigos na internet para o curso de Pós graduação em Ed. Inclusiva da Univ.do Estado do Ceará (UECE) "conheci" vocês. Que lindo!! Eu estava procurando por: "formação de líderes" e consegui achar o que realmente procurava. Parabéns a vocês, inclusive a seus irmãos, que merecem também elogios. Um forte abraço, Isabelle.
Olá Pedro! Há alguns dias atrás, ouvi falar de você! Advinha quem falou? Isso mesmo, seu paizão!!! Saiba que esse seu paizão realmente gosta muito de você, ele TE AMA! Falou muito bem de você, que és um filho fantástico que a vida deu a ele! Desejo a você, ele, sua irmã-agora enfermeira, e a todos que te rodeia, muita força, fé e união, pra que essa felicidade e conquista seja cada vez mais um síbolo de sucesso e be estar!
Mário, fica aqui o meu abraço especial a vocÊ, pessoa fántástica que pude conhecer um pouquinho!
Olá Pedrinho, Tudo bem, garotão? Passei aqui agora só para enviar um super beijo nessa sua bochechona, pela comemoração ao Dia Internacional do Deficiente! Peça um presente ao seu pai, viu? Que Deus os protejam! Ah... sua poltrona tá lindona mesmo, viu? Beijos, Inaiá
OI PEDRINHO LINDO QUERIDO! Ainda bem que seu PAI é muito "falador" né! hihihi Senão muita gente não iria se beneficiar com seu exemplo! E ver como podemos ganhar mais doando amor, ao invés de só ficar esperando receber! Um bom final de semana prolongado! Beijokinhas docinhas em seu fofo e amado coração!
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras. O livro é
publicado pela Editora Mondrian.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.