Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!

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"Um é pouco, 2 é bom, 26 é um milagre" - "Idéias malucas"

01/11/2004
E se não existisse dor?

Já pensou que legal? Você poderia cair à vontade, se cortar, fazer qualquer coisa e nem sentiria qualquer dor. Dores de cabeça? Nada disso. Dor de dente? Pode esquecer. Sem dor a vida seria uma maravilha, não é?
hehe

Não, não é. A menos que a gente já estivesse morando no céu, onde não haverá dor, enquanto vivermos aqui precisamos sentir dor. Se acha que não, pergunte à mãe de Ashlyn Blocker. Quem é Ashlyn? Uma garotinha de 5 anos que é portadora de deficiência. Qual deficiência? Um problema genético que a impede de sentir dor, frio e calor. O nome é "Congenital Insensitivity to Pain with Anhidrosis", ou CIPA

Sem dor, Ashlyn precisa ser vigiada o tempo todo. Seus pais descobriram o problema quando foram a um médico tentar descobrir por que seu olho estava inchado. O médico descobriu um ferimento na córnea, provavelmente causado por um cisco, e pingou um colírio que deveria ter feito a criança chorar de dor. Ela sorriu.

Quando nasceram os primeiros dentes, Ashlyn vivia com a boquinha ensanguentada. É que ela, sem perceber, mordia os lábios, mastigava a língua ou até dava mordidas violentas no dedinho que levava à boca. Sem dor, ela pode machucar o pé e continuar pisando no lugar sem mancar, piorando as coisas. Alguns pacientes de lepra têm o mesmo problema.

A comida precisa ser esfriada antes e o que estiver muito gelado precisa ser esquentado, ou ela vai comer do jeito que vier, pois não sente frio nem calor. Se derem a ela um copo de leite fervendo, ela vai engolir como se fosse a coisa mais normal do mundo, queimando tudo sem perceber.

A dor é um mecanismo de alerta que trazemos, que mostra que alguma coisa está errada e precisamo nos defender contra ela. Tara Blocker, a mãe de Ashlyn, diz: "A dor existe por alguma razão. Ela avisa seu corpo de que alguma coisa está errada e precisa ser resolvida." Você já tinha pensado nisso?

Deus Sabe que Sofremos
PHILIP YANCEY

Neste livro, você encontrará as mais importantes respostas para esse inquietante problema que diz respeito a todos nós. Com sensibilidade e profundo conhecimento do assunto, o autor trata o tema de maneira clara, informativamente rica e fundamentalmente bíblica, comentando também as conclusões a que chegam os maiores estudiosos do assunto. Um livro de estilo fácil, que responde questões difíceis. O autor trata da dor em diversos ângulos com diversas reações, deixando extravazar suas emoções no fim de cada capítulo. O livro conta o caso de um portador de Hanseníase que teve os pés deformados por usar sapatos que lesavam seus pés. Mesmo percebendo visualmente que os pés estavam sendo lesados, ele se recusava a usar outro tipo de sapato pois, sem a dor, essa percepção não era suficientemente discriminativa para gerar um comportamento de preservação do organismo.

"Um é pouco, 2 é bom, 26 é um milagre" - "Idéias malucas"


Oi, Pedro...

realmente a dor é algo extremamente importante, até em termos emocionais... a gente costuma amadurecer e crescer muito quando sente lá umas dores aqui e alí... Acho que é Deus nos dando uns tapinhas para aprendermos mais rápido! :)

Abraços, moço!

Enviado por Daniela dias em 04/01/2005


Ola gostei muito do seu blog , tenho gemeos e especiais , aos olhos dos outros a mim verdadeiros anjos , sem asas , parabens pela luta de voces , se puder nos visite bejao

Enviado por Fabricia em 08/11/2004


Oi PEDRINHO LINDO QUERIDO! Oi PAPAI, MANINHO E MANINHA LINDOS DO PEDRINHO!OLHE COMO *DEUS* fez tudo tão sábiamente não é mesmo?!!!Ter dor é horrível, mas viver sem ela totalmente é pior ainda!Por isso que devemos dar valor também para as coisas ruins que nos acontecem, porque é pra nosso bem!Um lindo final de semana pra todos1 Beijokinhas docinhas em seus iluminados e sábios corações!

Enviado por *Veri* em 06/11/2004


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...que meu nome é Pedro e nasci cego e incapacitado de falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não ligava muito para mim e vivi meus primeiros quatro anos deitado de costas com minha perna amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão logo abaixo de meu joelho direito.

Nada de beijos e abraços, brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos foram só de sobrevivência naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido, porque ninguém me ensinou. Depois de desmamado, minha mãe me manteve vivo com uma mistura de água, farinha de mandioca e açúcar que eu tomava em um copo, pois perdi a habilidade de sugar.

Minha avó era quem cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar a alguém. Então... bem, esta é a história que você irá ler em meu diário que, na verdade, é escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo fazer um diário como este. Mas acho que papai vai fazer um bom trabalho tentando adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se pudesse.

Mas não é só para contar minha vida que este blog existe. Papai é escritor e profissional de comunicação e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma pequena ajuda de pessoas que os compreendam. Existe um mundo diferente daquele onde a maioria das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco disso. Isso eu também quero contar.



Minha irmã se inspirou em minha história para escrever este romance que ganhou um prêmio literário e foi escolhido para fazer parte da coleção Anjos de Branco, coordenada pelo escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio e a apresentação é de autoria do escritor José Louzeiro, ambos da Academia Brasileira de Letras. O livro é publicado pela Editora Mondrian.

Minha irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca" preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco". Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia Persona e o livro Uma Luta Pela Vida é muito bom.


Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.

Lia fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e outras pessoas para ir juntando a história toda. Além disso, ela foi procurar informações em antigas correspondências, álbuns de fotos e até em exames médicos e radiografias.


Hoje ela está mais confiante e generosa.
Até ganhei um ursinho!

Ela costumava me levar ao médico, hidroterapia e fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica para consertar meus defeitos de fábrica. Toda hora inventava um "recall" para ver se dava para trocar alguma peça em mim! Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como o papai tem péssima memória, irá recorrer à Lia e ao seu livro "Uma Luta pela Vida" para escrever este blog. Você também poderá ler uma entrevista que a jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com minha irmã clicando aqui.

Tenho também um irmão, Lucas, que é muito legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será? Nunca escutei! Ele é muito generoso também. Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que no chão, para eu não cair, quando fazia muito frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado. Aprendi a fazer isso devagar para ele não acordar.


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