Outro dia foi Dia das Crianças e Dia do Professor. Só em Outubro tem ainda o Dia do Médico (18), Dia do Aviador (23), Dia do Dentista (25), Dia do Músico (26), Dia do Funcionário Público (28), Dia do Comerciário (30), dia do Decorador (30) e Dia das Bruxas (31). Puxa! Tem até Dia das Bruxas e não tem Dia dos Pães? Pois então acabo de decretar 16 de Outubro como o Dia dos Pães!
Por favor, não confunda com o Dia do Padeiro, que é 8 de Julho. Nem também com o dia de artistas bonitos, que as mulheres chamam de "pães". Estou falando do Dia dos Pães, daqueles que são pais e mães. Sim, uma espécie de clone que acabou surgindo com o grande número de separações de casais, mães solteiras e pais solteiros – não estou falando de Schwarzenegger que fica grávido no filme "Júnior", mas de pais por adoção.
Além disso, existe por aí um batalhão de avós, tios, cunhados, primos, irmãos e amigos que acabam assumindo o papel de pai ou mães – o papel de "Pães" – quando os pais originais morrem ou são incapazes de criar seus próprios filhos. Isso sem falar naqueles homens que simplesmente abandonam a mulher com o filho na barriga ou já fora dela. Resultado? 65% dos adolescentes em reformatórios vêm de famílias em que o pai abandonou o lar ou fez o filho de longe.
Até o presidente Lula sabe bem o que é crescer em um lar onde a mulher é o pai de família, ou "pãe" de família. Em um discurso em homenagem às mulheres, ele disse:
"Sou filho de uma mulher que nasceu analfabeta, teve 12 filhos, morreu analfabeta, mas na primeira tentativa de violência contra ela – feita pelo seu marido -, ela rompeu com ele, foi viver sozinha e provou que quando a mulher tem garra, determinação, ela não tem que ficar dependendo de uma pessoas que, às vezes, ao invés de ajudar, atrapalha"
É claro que todo mundo tem mãe que nasceu analfabeta – tudo bem, Sr. Presidente, foi um lapso – mas o mais importante aqui foi mostrar que ele também sabe o que é viver em um lar desfeito e ver a mãe ter que bater escanteio e cabecear para o gol ao mesmo tempo em que apita o jogo.
Isso sem falar nos pais que vivem com os filhos e nem sabem o nome deles. Lembra daqueles garotos nos Estados Unidos que mataram um monte de colegas na escola Columbine High School e os pais nem sabiam que eles tinham no quarto um arsenal digno de uma tropa de elite? Pois é, pais presentes que vivem ausentes porque têm coisas mais importantes para se preocupar do que os próprios filhos...
Bom, a realidade é esta. Parece que hoje há mais de 11 milhões, só de mulheres sós, que tocam a casa e os filhos, muitas porque tiveram o marido tocado de casa – como a mãe do presidente – ou porque o pai nem se tocou com os filhos. Se juntar a isso o número de casais separados, pais e mães solteiros... Puxa! Acho que é hora de arranjar um Dia dos Pães! Mas, por favor, que não seja mais um feriado, ou este país pára de vez.
P.S. Oops! Alguém chamou minha atenção para um dia muito importante, principalmente para gente como eu: 13 de Outubro - Dia do Terapeuta Ocupacional e do Fisioterapeuta.
Kramer Vs. Kramer DUSTIN HOFFMAN e MERYL STREEP Este filme é um clássico sobre o tema lares divididos. Drama sobre os traumas do divórcio e as dificuldades de um pai em criar seu filho. O filme venceu cinco Oscar: melhor filme, ator (Dustin Hoffman), atriz coadjuvante (Meryl Streep), diretor e roteiro adaptado. De tanto Ted Kramer (Dustin Hoffman) colocar o trabalho antes da família, Joanna (Meryl Streep), sua mulher, acaba saindo de casa, deixando Billy (Justin Henry), o filho do casal, com Ted, que tudo faz para poder educá-lo, trabalhando e fazendo as tarefas domésticas. Quando Ted consegue ajustar seu trabalho a estas novas responsabilidades, Joanna reaparece exigindo a guarda da criança. Ted porém se recusa e os dois vão para o tribunal lutar pela custódia de Billy.
Vocês esqueceram de uma data importante no mês de outubro: dia 13 é dia do fisioterapeuta, um profissional que trabalha diretamente com crianças especiais.
Olá, meu nome é Natália, tenho 18 anos e sou estudante de Serviço Social em São Paulo. Estou fazendo uma pesquisa sobre como a ausencia materna e paterna afeta uma família. Gostaria que se possivel, alguém disposto a colaborar com essa pesquisa desse o seu depoimento, gostaria muito de saber o lado de um pai que cria sozinho seus filhos, pois isso para mim é um ato de coragem! Obrigada!!!!
Enviado por natalia em 05/11/2004
A história de vc Pedrinho é pauta em minha vida sempre falo de vc e de sua família pra meus amigos!! Esses dias conheci um senhora que tbm adotou um menina linda e com 3 meses de vida descobriu que a garotinha era portadora de PC.. A dor e surpresa dela foi como a de uma uma mãe biologica ....hj essa menina tem 11 anos e é muito amada.. Esses dias estava falando sobre adoção com uns amigos e muitos não tem coragem de adotar e falei de vcs e dessa amiga todos ficaram boquiabertos ,não acreditavam ,tiveram que vim ver seu blog... Eu fiquei mais espantada e com um pouco de raiva por eles acharem isso impossivel ,uma pessoa adotar uma criança Especial,Deficiente não so por eu ser mãe de um garotinho com PC,mas pelo deboche que eles tiveram achando seus pais e minha amiga loucos!! Tiveram a audacia de me perguntar se eu adotaria meu filho sabendo que era Def ,Especial...!!1 Não é querendo me gabar e nem me crescer,mas acho que Deus me deu o Kaike ,ele nasceu de mim,mas tenho certeza que se ele tivesse vindo pra mim de outra maneira teria agido da mesma maneira ,com a mesma vontade de ama-lo com a PC dele não mudaria ele ter vindo de mim ou não!!!Sou nova tenho 20 anos não tive muito cuidado e pouca responsabilidade e acabei sendo mãe nova ,perdi uma boa parte da minha juventude ,mas conhecimento so ganhei ,hj conhecer a vida dos def ,do meu garotinho valeu muito mais !! apoio esse dia do Pães e sempre lembrarei ,pois é um dia merecido...Fiquem comDeus Beijos a toda sua família!! Carla
Oi PEDRINHO LINDO QUERIDO!Oi PRA TODOS DA SUA LINDA FAMÍLIA! Olhe eu concordo e agora todo dia 16 de outubro vou lembrar que é o dia dos *PÃES*!Bem apesar que esses pais que criam filhos adotivos eu diria, filhos do coração devem ser homenageados mesmo! Porque como disse, em um mundo que nem mesmo os próprios pais sabem amar e cuidar de seus filhos, PÃES assim merecem tambem ter um dia deles!Bom final de semana com muito amor saúde alegria e paz!Beijokinhas docinhas em seu exemplar e lindo coração!
Oi Pedro, posso acrescentar apenas uma coisinha? No dia 02 foi meu aniversário, fiz 35 anos e é maravilhoso chegar nessa idade e encontrar pessoas lindas como você... Um dia quero te conhecer e te dar um abraço cheio de carinho... Beijinhos da nova amiga e que Deus lhe abençoe muito, não só você mas também sua linda família. :)
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras. O livro é
publicado pela Editora Mondrian.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.