Gente, estou impressionado! Sabe quanta gente visitou este blog desde que publiquei a notícia sobre a morte de Superman? Faça as contas comigo: Umas 450 na segunda-feira, quase 200 na terça, 300 e pouco na quarta e 150 na quinta. Mais de mil pessoas visitaram umas 2 mil páginas do blog só nos últimos 4 dias! Uau! Quantos Superamigos!
Isso mostra o quanto Christopher Reeve era popular como Superman e mais ainda como Superman II, quando começou a voar alto com sua cadeira de rodas. Geralmente acontece assim. Quando as circunstâncias são adversas, excedemos. Outro dia meu pai leu um artigo que dizia que pode ser esta a razão da longevidade de pessoas que moram lá naqueles desertos gelados da Rússia.
A vida e morte de Christopher Reeve ajudaram a chamar a atenção de muitos para as dificuldades dos portadores de deficiência. Ele experimentou sucesso extremo como ator em Superman e dificuldades extremas como tetraplégico. Uma coisa é certa: os extremos podem ser bons como circunstâncias, mas é preciso tomar cuidado quando eles passam a produzir depressão ou orgulho como resposta às circunstâncias. Nossa, estou ficando filósofo!
Bem, o que quero dizer é que, diante de circunstâncias adversas, você pode adotar a posição de coitadinho e ficar esperando que todo mundo tenha dó de você. Isso tem destruído vidas demais, tanto de portadores de deficiência como de portadores de pensamentos deficientes.
O outro extremo é aquele que, por ter vencido este ou aquele obstáculo, se acha o máximo e passa a viver inchado pelo orgulho. Quer ter até estátua na praça. A escritora francesa Madame De Stael, que viveu no século 18, disse, em seu leito de morte: "Sabe qual é a última coisa que morre em uma pessoa? É o seu amor-próprio."
É que às vezes ficamos gostando tanto de nós que passamos a gostar menos de Deus. E o que seria de nós sem Ele? O orgulho também atrapalha em nossa vida diária, em nosso relacionamento com os amigos, em nosso aprendizado. Oras, se eu me achar o máximo, pra quê me esforçar mais para vencer esta ou aquela dificuldade? Posso ficar deitado em berço esplêndido ocupado com os louros de minha pequena vitória.
Péraí... deixa eu ver uma coisinha com meu pai... [Paiêêê, era isso que você queria que eu falasse? É, já falei.] Pronto, voltei. Sacumé, ele ficou meio preocupado de tanto elogio que recebeu na mensagem anterior e até colocou lá um texto enorme explicando que queria dar a Deus toda a glória pelas coisas que aconteceram na vida desta família. Hummmm.... acho que a emenda ficou pior que o soneto. Tudo bem, eu entendo ele. Morre de medo de ficar convencido. Está ficando velho, sabe como é, vai ficando sensível. Mas não diz pra ele que eu disse isso, ok?
"Grandes coisas fez O SENHOR por nós, pelas quais estamos alegres." Salmos 126:3
Ainda Sou Eu: Memórias CHRISTOPHER REEVE Neste livro, Christopher Reeve detalha momentos de sua vida - sua infância, as dificuldades e vitórias ao longo de seu trabalho e ao momento atual - sua vida após o acidente. O ator descreve seu primeiro sucesso na Broadway, a aventura de filmar Superman nas ruas de Nova York e o processo pelo qual este filme o transformou em astro. Fala ainda da complexa relação com os pais, da luta permanente e heróica para reconstruir sua vida após o acidente que o deixou preso à uma cadeira de rodas, e dos esforços para continuar sendo um bom marido e pai. Reeve é muito sensível e conseguiu muito bem prender o leitor. O livro é uma verdadeira lição de vida.
As vezes não precisamos dizer nada ,perto das coisas que leio aqui,acho que so das pessoas passar aqui e ler um pedacinho da historia de vcs é muito mais importante que mil palavras... Parabéns pela audiencia do blog ,vcs merecem muitas e muitas visitas Fiquem com Deus!!
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras. O livro é
publicado pela Editora Mondrian.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.