Esta noite dormi só. Meu irmão mudou-se para seu apartamento na cidade onde trabalha. Ele viajava todos os dias e o trânsito estava ficando perigoso demais. Agora alugou um apartamento e já levou algumas coisas para lá. Por isso hoje dormi só.
Acho que foi por isso que à noite comecei a gritar. Na primeira vez, meu pai veio e disse para eu dormir. Na segunda, minha irmã ajeitou meu travesseiro para ver se eu ficava quietinho. Acho que fiquei. Será que foi porque percebi que meu irmão não estava ali? Sem ele na cama ao lado, que graça tem puxar suas cobertas como faço todas as noites?
Daqui a dois meses será a vez de minha irmã ir embora. Ela pretende se casar e mudar para outro país, portanto a casa vai ficar ainda mais vazia. Ficaremos eu e meu pai para fazer a bagunça que quisermos. Já pensou? Quando a arrumadeira chegar de manhã, vai ficar maluca!
Outro dia meu pai assistiu um filme – "Crimes de um detetive" – a história de um escritor de histórias policiais (Robert Downey Jr.) que sofre de uma grave doença de pele que o deixa praticamente imobilizado e coberto de escaras. Em um certo momento ele diz: "Sou um prisioneiro em minha própria pele". Aí um psiquiatra (Mel Gibson) entra em cena para ajudá-lo a enxergar que boa parte de sua doença vem de traumas da infância.
Acho que muitos portadores de deficiência sentem o mesmo. Alguns, dotados de inteligência e percepção intactas, não conseguem externar isso pela limitação do corpo. Então vem aquele sentimento de solidão, aquele desejo de gritar por uma boca que não fala, ou de gesticular com mãos que não obedecem. Será que Deus sabe o que é isso?
Sabe. Na cruz, Jesus foi imobilizado e abandonado a uma solidão ainda mais terrível do que jamais poderemos imaginar. Qualquer pessoa, por pior que seja, tem Deus ao seu lado até o último suspiro. Se foi alguém que nunca ligou para Deus, mesmo assim Ele está ali esperando por uma conversão.
Deus estava fazendo ali uma coisa estranha, abandonar alguém, principalmente o único verdadeiramente justo que passou por aqui. Estranha, porque a própria Bíblia dizia, "Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo." Salmos 37:25 Por que tinha que ser assim?
Porque Jesus estava morrendo com meus pecados sobre Si, sozinho, para que eu pudesse morar no Céu, acompanhado. Hoje dormi sozinho. Mas sei que nunca estou sozinho, porque Deus está comigo. E porque Jesus me salvou, qualquer dia desses vou morar no Céu e lá vou encontrar muita gente. Quem não falava aqui, lá irá cantar. Quem não andava aqui, lá irá voar. Quem chorava aqui, lá não vai chorar.
Lá não vou dormir só. Pra falar a verdade, lá nem vou dormir. Oras, num lugar tão maravilhoso e olhando para Jesus, quem é que vai ter sono?!
Educação Psicomotora e Retardo Mental L. PICQ Educação Psicomotora e Retardo Mental tornou-se um clássico da reeducação pelo movimento. Esta obra é sempre atual pois as proposições dos autores são feitas a partir de inúmeras atividades desenvolvidas e vivenciadas na situação educativa. Nesta edição os autores mostram um exame psicomotor completo e de utilidade prática. Através desse exame são tirados exemplos, dadas as indicações em presença de dados concretos e são fornecidos os resultados.
Olá Pedro! Hoje bem cedinho, entrei aqui para mostrar sua pagina a uma amiga, que está passando por uma fase de mudanças....e lendo sua historia, ela conseguiu ver um outro lado da vida...acho que Vc conseguiu transmitir pra ela a paz que ela precisa ter....que seja assim nossos dias cheios de muita paz, carinhosamente, beijos Rose
Espero que receba com carinho um beijo meu! Estava pensando em algo que acabou de acontecer e estava muito triste. Aprendi com vc hj que o que vale a pena é viver!!!
Oi PEDRINHO LINDO! Ah voce acostumou dormir com ele, se sentia protegido! Mas agora vai ver que esta protegido por *DEUS* e sempre que se sentir em perigo pede a ele viu! Porque podem todos ter que nos abandonar um dia, mas ele nunca nos abandona!Bom final de semana com todo meu carinho!Beijokinhas docinhas em seu puro e amado coracão!
Um dia engraçado,outro triste ....cheio de emoçoes esse blog eu como uma boa chorona sempre me emociono muito!! Ah consegui entrar no Orkut muito obrigada!! Vc não vai acreditar recebi o convite junto com aquele link que seu pai muito cuidadoso mandou com o passo a passo em portugues.....fui la me cadastrei td certinho entrei fui no busca ,coloquei varias palavras e achei varios grupos ,que ja participo,so não achava o de vcs,e sempre vendo o link ¨quero contar¨nos outros grupos e achando que era do blog ,depois que vi que era o grupo com o mesmo nome!!!aiaiaiaia foi a empolgaçao vi aquele monte de grupo e ja fui participando,´. Mesmo com o atraso estarei participando la no grupo sempre!! A maravilha é que ja fiz muitos amigos nos outros grupos e estarei apresentando pra eles o QUERO CONTAR..... Beijos e não fica triste com a falta de seu irmão viu!!!Espero te encontrar em nossos sonhos ta1!! Que Deus os abençoe!!Carla
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras. O livro é
publicado pela Editora Mondrian.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.