Gente, assim não dá! Será que posso despedir meu pai? Você deve ter visto que há mais de um mês meu blog não era atualizado, né? Sabe de quem é a culpa? Exatamente. De meu pai!
Tudo bem que ele está viajando direto há algumas semanas, que os clientes não páram de chamá-lo para palestras e treinamentos, mas assim não dá para eu continuar pagando para ele atualizar meu blog.
Quanto eu pago? Bem... eu não pago nada, mas só o prestígio que ele ganha cuidando do blog de um cara bonito, simpático e elegante como eu já é uma recompensa e tanto, não acha?
Ele até arranjou tempo para atualizar seu blog com uma nova crônica, "Medalha de Pérola", mas cadê tempo para atualizar meu blog. Tá certo que ele escreveu a crônica no quarto de um hotel entre uma viagem e outra, mas por que não escreveu também alguma coisa em meu blog?
Você deve estar estranhando minha forma de falar de meu pai, não é mesmo? Isso mesmo, falar assim do pai da gente fica super estranho. Fiz de propósito, para chamar sua atenção de como fica estranho a gente falar mal daqueles que cuidam da gente, daqueles que nos amam e estão sempre presentes quando precisamos.
Você fala bem de seus pais? Tem respeito por eles? É assim que deve ser. Quem cuida de você merece seu sorriso, seu amor, sua consideração. Nem imagino quem tenha sido meu pai biológico. Só conheço este que me adotou quando eu tinha quatro anos. Cá entre nós, ele até que serve para muitas coisas. Mas, quando o assunto é manter meu blog atualizado, devo confessar que ele deixa a desejar...
Paralisia Cerebral: Linguagem e Cognição SUELLY CECILIA OLIVAN LIMONGI Este livro trata da relação entre a construção da linguagem e o desenvolvimento cognitivo na Paralisia Cerebral. Mostra a importância da visão integrada entre várias áreas do desenvolvimento, tanto para compreensão da patologia como atuação terapeutica.
Entrei no site pela 1ª vez e logo de cara dei com esse desabafo, muito legal. Vou ler mais e depois comento. Sou mãe de uma garotinha de 7 anos que tem mielomeningocele e é tão terrível quanto você. Beijos, Carla.
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras. O livro é
publicado pela Editora Mondrian.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.