Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!

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"Ao redor do coração" - "Até Eu Vir Buscá-lo Outra Vez"

02/03/2004
Qual é sua missão?

Ontem meu pai assistiu o filme Simon Birch, de 1998, lançado no Brasil com o nome de "Pequeno Milagre". Ele conta a história de um garotinho deficiente físico que acreditava ter uma missão na vida. O filme é comovente e não vou estragar contando o final. Mas é muito bonito ver a atuação do ator-mirim que também é deficiente físico.
wink

O filme foi baseado no romance de John Irving, "A prayer for Owen Meany" e foge um pouco do livro, segundo comentários de quem leu. Mas o interessante é a visão que Simon Birch (o Owen Meany no filme) tem da vida e de sua razão de existência. Ele acredita que Deus o colocou ali com um propósito. Você acha o mesmo?

É difícil a gente aceitar isso, né? Principalmente quando se tem uma deficiência congênita ou causada por algum acidente. A primeira coisa que a gente faz é se revoltar e perguntar: "Por que eu?". No filme e Simon parece ter certeza absoluta de sua missão até que os adultos começam a duvidar disso. Aí ele também fica em dúvida.
sad
Acho que uma das piores coisas que alguém pode fazer é atrapalhar a fé simples e sincera de uma criança. Papai costuma contar a história de uma cidadezinha onde não chovia a meses. As pessoas decidiram subir a uma montanha para fazer orações a Deus pedindo chuva. Subiram num sol escaldante e todos zombando de uma pequena garotinha que era a única que levou um guarda-chuva. Na volta, era a única que estava seca.

Simon Birch tem um amigo com o qual sempre se entende. Os dois são unha e carne, embora Simon tenha menos de um metro de altura em razão de suas deficiências. Seu amigo tem a altura normal para um menino de 13 anos, mas tem lá suas deficiências também. A que mais lhe aflige é não ter um pai, pelo menos um que conheça, pois é filho de mãe solteira. Isto o leva a se identificar ainda mais com Simon porque ele sabe o que é ser rejeitado pela sociedade e sofrer discriminação. Mas tem Alguém que foi muito mais discriminado, mais do que qualquer um. Estou falando de Jesus:

"Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum." Isaías 53:3

Há vários filmes representando deficientes físicos e a maneira como cada um encara suas deficiências e até mesmo a importância delas em uma sociedade onde ainda há muita gente que gostaria de esconder tudo o que não está de acordo com um padrão escultural grego de beleza e qualidade. Outro dia meu pai assistiu "De porta a porta" ("Door to Door"), e achou muito bom.
hehe
Outro lindo é "A força do amor" ("I am Sam"), com o ator Sean Penn que acaba de ganhar o Oscar, mas é bom preparar uma caixa de lenço de papel. Mais? Então assista "Simples como amar" ("The other sister"), ou "Aprendiz de sonhador" ("What´s Eating Gilbert Grape") ou "Sempre amigos" ("The mighty"). Se meu pai se lembrar de mais algum, ele indica aqui.

P.S. Ele encontrou mais alguns:

Meu Filho,Meu Mundo - James Farentino (autismo)
Experimentando a Vida - Elisabeth Shue (autismo)
Tommy - Roger Daltrey ( autismo)
Rain Man - Dustin Hofman ( autismo)
O enigma das cartas ( autismo).
O milagre de Anne Sulivann ( cegueira, surdez e mudez) (filme de colecionador).
Prisioneiro do Silêncio ( autismo, deficiência mental)
O Oleo de Lorenzo ( doença degenerativa)
Meu Adorável Professor ( surdez)
Meu Pé Esquerdo ( paralisia cerebral)

Pequeno Milagre (DVD)
Mesmo sendo o menor garoto da cidade, Simon Birch sabe que nasceu para realizar algo grande. Ele vive numa busca constante para descobrir sua missão, mas só se mete em confusões. O melhor amigo de Simon, o fiel Joe quer descobrir quem é o seu pai, um segredo que sua mãe não revela a ninguém. Os dois juntos vivem aventuras divertidas e algumas vezes tristes, e enfrentando altos e baixos, a amizade dos garotos vai se transformando numa forte ligação. Um filme que inspira.

"Ao redor do coração" - "Até Eu Vir Buscá-lo Outra Vez"



 

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...que meu nome é Pedro e nasci cego e incapacitado de falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não ligava muito para mim e vivi meus primeiros quatro anos deitado de costas com minha perna amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão logo abaixo de meu joelho direito.

Nada de beijos e abraços, brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos foram só de sobrevivência naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido, porque ninguém me ensinou. Depois de desmamado, minha mãe me manteve vivo com uma mistura de água, farinha de mandioca e açúcar que eu tomava em um copo, pois perdi a habilidade de sugar.

Minha avó era quem cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar a alguém. Então... bem, esta é a história que você irá ler em meu diário que, na verdade, é escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo fazer um diário como este. Mas acho que papai vai fazer um bom trabalho tentando adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se pudesse.

Mas não é só para contar minha vida que este blog existe. Papai é escritor e profissional de comunicação e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma pequena ajuda de pessoas que os compreendam. Existe um mundo diferente daquele onde a maioria das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco disso. Isso eu também quero contar.



Minha irmã se inspirou em minha história para escrever este romance que ganhou um prêmio literário e foi escolhido para fazer parte da coleção Anjos de Branco, coordenada pelo escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio e a apresentação é de autoria do escritor José Louzeiro, ambos da Academia Brasileira de Letras.

Minha irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca" preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco". Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia Persona e o livro Uma Luta Pela Vida é muito bom.


Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.

Lia fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e outras pessoas para ir juntando a história toda. Além disso, ela foi procurar informações em antigas correspondências, álbuns de fotos e até em exames médicos e radiografias.


Hoje ela está mais confiante e generosa.
Até ganhei um ursinho!

Ela costumava me levar ao médico, hidroterapia e fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica para consertar meus defeitos de fábrica. Toda hora inventava um "recall" para ver se dava para trocar alguma peça em mim! Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como o papai tem péssima memória, irá recorrer à Lia e ao seu livro "Uma Luta pela Vida" para escrever este blog. Você também poderá ler uma entrevista que a jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com minha irmã clicando aqui.

Tenho também um irmão, Lucas, que é muito legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será? Nunca escutei! Ele é muito generoso também. Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que no chão, para eu não cair, quando fazia muito frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado. Aprendi a fazer isso devagar para ele não acordar.


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