Vamos voltar à minha história. Eu estava dizendo que logo que cheguei meus novos pais me levaram a uma médica. O diagnóstico foi subnutrição e uma verdadeira fauna intestinal, onde não faltava uma espécie sequer. Eu sempre fui partidário da conservação da fauna, mas aquela estava comendo o que não dava nem para mim.
Minha dieta nos primeiros quatro anos de vida e depois de desmamado deve ter sido basicamente de farinha de mandioca, água e açúcar. Tomada em copo, já que perdi a capacidade de sugar. Isso eu viria a adquirir depois com a ajuda de fisioterapeutas e fonoaudiólogas. Elas colocavam pasta de chocolate em meu lábio superior e eu precisava fazer ele entrar na boca para comer. Aí fui aprendendo a sugar.
Mas naquele dia a médica não deu nenhum remédio para os milhares de vermes alienígenas que habitavam a espaçonave de meu ventre. Qualquer medicamento ou alimento mais forte teria sido o golpe final para minha saúde já abalada. Se é que aquilo podia ser chamado de saúde! Foi assim que comecei minha dieta com uma papinha rala de arroz, pois nem mesmo leite a médica queria arriscar, pois ninguém sabia se eu tinha experimentado o gosto disso nos últimos anos. Era melhor prevenir. A papinha até que não era ruim e se eu conseguisse falar, aconselharia papai a adotar uma dieta desse tipo por alguns dias. Ele anda meio barrigudo ultimamente... Só depois de fortalecido foi que recebi medicamento para minha tosse, embora boa parte dela podia ser causada por verminhos fazendo cócegas em minha garganta. Não acredita? Bem, então você precisava ver a surpresa que deixei em minha fralda quando comecei a tomar um vermífugo. Você assistiu aquele filme Anaconda, que tinha aquela cobra enorme que engolia gente? Pois é. Como eu não sou fraco, nem nada, todo mundo achou que eu tivesse engolido a Anaconda!
Português para Deficiente Auditivo MARLENE DE OLIVEIRA GOTTI O surdo, apesar de deficiente, pode e deve falar. Isso será possível se iniciar, desde os primeiros meses de vida, a ralização. Didática, esta é uma obra especial que trabalha com os elementos comunicativos que o deficiente possui para transformar seu "déficit" em aprendizagem de novas possibilidades expressivas. A assimilação do instrumento verbal de interação agora revigora-se na redescoberta de estruturas não-verbais fundamentais.
Oi PEDRINHO!! Como lhe falei agora vou estar sempre aqui me aguente viu! rsrs Como vão? Você seus pais sua irmã tudo bem? Que DEUS abençõe todos vocês! Beijo doce em seus lindos corações!
Olá meu querido Pedro. Muitos parabéns pela tua força e coragem. Muitas vezes choro e já chorei quando soube que o meu bebé (agora com 6 meses) iria nascer com uma pequena malformação..... não é que me alegre com o mal dos outros...mas ler-te e ver o poder das tuas palavras enxuga-me não só as lágrimas como a tristeza. Um grnade beijinho da Gotinha aqui de Portugal.
Grande Mário !!! Recebo sua Newsletter e sempre me divirto com sua maneira de escrever, que parece muito com minha maneira de pensar... mas a aventura de sua família no processo de adoção do Pedro... foi uma surpresa !!! Muitas ocupações e preocupações de nossos dias, tarefas e artigos para tomar nossos tempo... e eis que suas vidas são generosas para dar espaço à mais uma alma que precisava de ajuda... Obrigado pelo exemplo !!! Começa o ano e muitas coisas passam pelas cabeças de todos... mas é raro pensarmos em algo distante mais que alguns palmos de nossos umbigos. Pessoas como vocês são raras e iluminadas (e olha que felizmente estou encontrando muitas pessoas boas nessa caminhada !!!). Desejo (mais) sucesso para você e sua família !!! Desejo (mais) felicidade para p Pedro e sua jornada por esse mundo... Todos vocês estão muito bem acompanhados ... a viagem só pode ser legal !!! Grande abraço à vocês todos !!! Um beijão no Pedro !!! Carlos Moro
Enviado por Carlos Moro em 28/01/2004
Puxa... li o seu blog, e o achei excelente! Muito bem redigido, e cada tópico é uma verdadeira lição de vida! Parabéns ao senhor, pai do Pedro, e à sua família, pelo que têm feito por ele... Será que posso recomendar uma url?? ***.abeuni.org.br - espero que gostem! Sua filha é universitária, não é? Se ela quiser se inscrever na próxima Caravana, tem o meu apoio! :) []´s pra vcs...
Oi Pedro!! Vi seu comentário no blog da Marina e resolvi entrar! Este blog não tem palavras... É D+++ TAMBÉM!! Estou encantanda!! Vou te adicionar no meu blog também, viu!! adoreiiiii!!
Olá Pedro, passei parte da tarde a ler seu blog e, entre outras coisas, me diverti muito com você e sua família. Assunto sem pé nem cabeça: se eu tiver uma filha, quero que ela se chame Lia, sempre foi um de meus nomes prefridos e como adorei a "sua" Lia, está decidido :p Tenho 20 anos e também sou deficiente, sou paraplégica, e tenho uma família bem legal também. Beijinhos, Marina
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.