Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!

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"A primeira médica a gente não esquece" - "Fauna, flora, cobras e lagartos"

27/01/2004
O hobby do vovô

De vez em quando eu dou uma paradinha em minha história para contar meu dia-a-dia. Acho que interessa, né? Bom, essa virada de ano foi meio diferente aqui em casa. Meus irmãos viajaram para o Sul e eu fiquei com meu pai e minha avó. Ela é viúva, idosa e caminha com a ajuda de uma bengala.
smile

Papai aproveitou para dar uma semana de férias para a empregada, então eu, papai e vovó fomos comer todos os dias em um restaurante que fica na esquina. Imagine a cena: eu em minha cadeira de rodas empurrado por papai e vovó vindo atrás, bem devagarzinho, apoiada em sua bengala. Não dá pra ter pressa, né?

Todos os garçons já me conhecem no restaurante e vêm conversar comigo. Eu fico na minha, não digo uma palavra. Também, como dizer se não sei falar? É, esta é uma de minhas falhas de fabricação, mas por dentro tenho uma alma tão preciosa a Deus como qualquer outra pessoa. Quer ver?

"Pai de órfãos e juiz de viúvas é Deus, no seu lugar santo." Salmo 68:5

Viu só? Ele cuida de mim e da vovó. Ah! Eu disse que falaria do que meu vovô fazia. Pois é, antes de sofrer um derrame que o deixou quase quatro anos numa cama e cadeira de rodas até ir para o Céu, vovô era muito habilidoso com ferramentas. Ele foi bancário a vida toda, mas gostava mesmo de construir e inventar coisas.
LOL
Então ele comprou um monte de rodas de bicicleta, ferro para a armação, madeira para o encosto dos braços e lona para o assento, e inventou uma cadeira de rodas baratinha que ele mesmo fazia na oficina no quintal. Com isso ele se divertia fazendo o que gostava e ainda ajudava muita gente que não tinha dinheiro para comprar uma cadeira de rodas.

Sabia que existe muita gente por aí se arrastando pelo chão da casa só por não ter dinheiro para comprar uma simples cadeira de rodas? Sabe quanto custa uma cadeira de rodas? Achei a mais barata na Internet por R$ 145,00, o que é muito para alguns e quase nada para outros. Conhece alguém que ainda não tem uma e se arrasta pelo chão? Que tal fazer algo diferente neste ano de 2004?

Natação para Deficientes
ASSOCIATION OF SWIMMING THERAPY

Natação para Deficientes é uma importante referência para qualquer pessoa que tenha o desejo de ensinar natação. O livro enfatiza a instrução, independente do tipo de restrição física do nadador e de sua habilidade na água. A natação é uma froma agradável de exercício para todas as pessoas - e é esse o ponto de partida para o Método Halliwick, explicado no livro. Utilizando esse método, os instrutores podem incentivar seus nadadores a vivenciar a sensação de enorme satisfação e liberdade que nasce da maior independência na água. A Association of Swimming Therapy vem desempenhando um papel vital na difusão do ensino para pessoas com deficiência.

"A primeira médica a gente não esquece" - "Fauna, flora, cobras e lagartos"



 

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...que meu nome é Pedro e nasci cego e incapacitado de falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não ligava muito para mim e vivi meus primeiros quatro anos deitado de costas com minha perna amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão logo abaixo de meu joelho direito.

Nada de beijos e abraços, brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos foram só de sobrevivência naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido, porque ninguém me ensinou. Depois de desmamado, minha mãe me manteve vivo com uma mistura de água, farinha de mandioca e açúcar que eu tomava em um copo, pois perdi a habilidade de sugar.

Minha avó era quem cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar a alguém. Então... bem, esta é a história que você irá ler em meu diário que, na verdade, é escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo fazer um diário como este. Mas acho que papai vai fazer um bom trabalho tentando adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se pudesse.

Mas não é só para contar minha vida que este blog existe. Papai é escritor e profissional de comunicação e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma pequena ajuda de pessoas que os compreendam. Existe um mundo diferente daquele onde a maioria das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco disso. Isso eu também quero contar.



Minha irmã se inspirou em minha história para escrever este romance que ganhou um prêmio literário e foi escolhido para fazer parte da coleção Anjos de Branco, coordenada pelo escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio e a apresentação é de autoria do escritor José Louzeiro, ambos da Academia Brasileira de Letras.

Minha irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca" preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco". Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia Persona e o livro Uma Luta Pela Vida é muito bom.


Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.

Lia fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e outras pessoas para ir juntando a história toda. Além disso, ela foi procurar informações em antigas correspondências, álbuns de fotos e até em exames médicos e radiografias.


Hoje ela está mais confiante e generosa.
Até ganhei um ursinho!

Ela costumava me levar ao médico, hidroterapia e fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica para consertar meus defeitos de fábrica. Toda hora inventava um "recall" para ver se dava para trocar alguma peça em mim! Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como o papai tem péssima memória, irá recorrer à Lia e ao seu livro "Uma Luta pela Vida" para escrever este blog. Você também poderá ler uma entrevista que a jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com minha irmã clicando aqui.

Tenho também um irmão, Lucas, que é muito legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será? Nunca escutei! Ele é muito generoso também. Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que no chão, para eu não cair, quando fazia muito frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado. Aprendi a fazer isso devagar para ele não acordar.


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