De vez em quando eu dou uma paradinha em minha história para contar meu dia-a-dia. Acho que interessa, né? Bom, essa virada de ano foi meio diferente aqui em casa. Meus irmãos viajaram para o Sul e eu fiquei com meu pai e minha avó. Ela é viúva, idosa e caminha com a ajuda de uma bengala.
Papai aproveitou para dar uma semana de férias para a empregada, então eu, papai e vovó fomos comer todos os dias em um restaurante que fica na esquina. Imagine a cena: eu em minha cadeira de rodas empurrado por papai e vovó vindo atrás, bem devagarzinho, apoiada em sua bengala. Não dá pra ter pressa, né? Todos os garçons já me conhecem no restaurante e vêm conversar comigo. Eu fico na minha, não digo uma palavra. Também, como dizer se não sei falar? É, esta é uma de minhas falhas de fabricação, mas por dentro tenho uma alma tão preciosa a Deus como qualquer outra pessoa. Quer ver?
"Pai de órfãos e juiz de viúvas é Deus, no seu lugar santo." Salmo 68:5
Viu só? Ele cuida de mim e da vovó. Ah! Eu disse que falaria do que meu vovô fazia. Pois é, antes de sofrer um derrame que o deixou quase quatro anos numa cama e cadeira de rodas até ir para o Céu, vovô era muito habilidoso com ferramentas. Ele foi bancário a vida toda, mas gostava mesmo de construir e inventar coisas. Então ele comprou um monte de rodas de bicicleta, ferro para a armação, madeira para o encosto dos braços e lona para o assento, e inventou uma cadeira de rodas baratinha que ele mesmo fazia na oficina no quintal. Com isso ele se divertia fazendo o que gostava e ainda ajudava muita gente que não tinha dinheiro para comprar uma cadeira de rodas.
Sabia que existe muita gente por aí se arrastando pelo chão da casa só por não ter dinheiro para comprar uma simples cadeira de rodas? Sabe quanto custa uma cadeira de rodas? Achei a mais barata na Internet por R$ 145,00, o que é muito para alguns e quase nada para outros. Conhece alguém que ainda não tem uma e se arrasta pelo chão? Que tal fazer algo diferente neste ano de 2004?
Natação para Deficientes ASSOCIATION OF SWIMMING THERAPY Natação para Deficientes é uma importante referência para qualquer pessoa que tenha o desejo de ensinar natação. O livro enfatiza a instrução, independente do tipo de restrição física do nadador e de sua habilidade na água. A natação é uma froma agradável de exercício para todas as pessoas - e é esse o ponto de partida para o Método Halliwick, explicado no livro. Utilizando esse método, os instrutores podem incentivar seus nadadores a vivenciar a sensação de enorme satisfação e liberdade que nasce da maior independência na água. A Association of Swimming Therapy vem desempenhando um papel vital na difusão do ensino para pessoas com deficiência.
Olá Pedro,fiquei muito comovida,mas feliz com sua historia de vida. fELIZ POR SABER QUE AINDA EXISTEM PESSOAS DE CORAÇÃO PURO E BONDOSO. Tb tenho uma linda filha adotiva,de apenas quatro meses,ela é linda e quando chegou para mim tinha apenas 45 dias.Ela não é uma criança especial assim como vc,mas é especial para nós hoje que samos pais dela.pois ela chegou muito triste e já sentia em seu coração a regeição de sua progenitora. Mas samos muito felizes hoje. E digo a vcs,voces pais é que são especiais por ter força,amor.coragem e muito carinho para ofereçer ao pequeeno Pedro. Sejam muito felizes,que nosso Pai misericordioso esteja sempre presente na vida de todos vcs,e que nnossa senhora cubra vcs com seu manto azul de amor.
ÓLA PEDRO!. QUE A PAZ DO SENHOR SEJA CONTIGO E NO SEU LAR. DEIXAREI P/ VOCÊ UM VESÍCULO BÍBLICO QUE DIZ:" NÃO TEMAS PORQUE EU SOU CONTIGO;NÃO TE ASSOMBRES,PORQUE EU SOU TEU DEUS;EU TE ESFORÇO E TE AJUDO, E TE SUSTENTO COM A DESTRA DA MINHA JUSTIÇA" (Is 41:10) QUE ESSA PALAVRA ENCHA O SEU CORAÇÃO DE ALEGRIA. DEUS TE ABENÇOE!
Oi PEDRINHO então você anda passeando indo ao restaurante que legal! É mesmo temos que tentar ajudar pessoas com esse problema! Agora volto sempre coloquei o novo link no meu blog! Beijo doce em seu puro e lindo coração!!
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.