Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!Pedro quer contar sua história. Ele é uma pessoa especial, que nasceu com paralisia cerebral, catarata congênita e incapacidade de andar, falar e fazer muitas outras coisas. Alguns chamariam Pedro de excepcional, deficiente físico, deficiente mental, incapacitado, impossibilitado, prejudicado... Nossa! São tantos os nomes que acho melhor ficar só com especial!

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"Linha direta com Deus" - "Eu não sou cachorro não!"

17/01/2004
Desejos realizados

Maria tinha adotado uma criança deficiente visual que mais tarde viria a enxergar graças a implantes de córneas. O açougueiro sabia disso e foi nela que pensou quando vieram oferecer um menino para quem quisesse adotar. O menino era eu!
cool eh?

Foi difícil para ela decidir que não podia adotar mais um - na verdade nos anos que se seguiram Maria e seu marido acabaram adotando um total de seis crianças. Mas foi até a favela me visitar e quase caiu de costas quando viu minhas condições.
sad
Pra falar a verdade, o barraco era tão pequeno que ela não podia cair de costas, por isso simplesmente foi embora com aquela cena apertada no coração. Precisava preparar as malas para viajar. Iria a São Paulo levar seu filho adotivo para exames prévios antes de submetê-lo a uma cirurgia de implante de córnea.

Adivinha onde Maria iria ficar hospedada? Adivinhou. Ela tinha um casal de amigos em São Paulo, que conhecera na época em que tinham interesses comuns de cuidarem de crianças em uma comunidade rural no interior de Goiás. Agora quando precisava ir a São Paulo ficava hospedada no apartamento do casal. Pelo jeito dessa vez Deus seria seu agente de viagens.
LOL
Não era a primeira vez que Maria ficava com aquele casal. A diferença era que desta vez ela tinha uma missão a cumprir, mas nem sabia disso. Meus futuros pais estavam quase sem falar muito no assunto "adoção". E falavam menos ainda sobre "criança especial", "excepcional", "deficiente físico", "retardado", "débil mental", "inválido" e todos esses termos que as pessoas ficam discutindo se são politicamente corretos ou não. Eles não estavam muito preocupados com a forma, mas com o conteúdo do propósito que tinham no coração. (Leia o que papai escreveu sobre inclusão social).
shocked
É claro que estavam morrendo de vontade de contar para Maria, de perguntar tudo sobre adoção, de saber a opinião dela sobre o que pretendiam fazer e tudo mais. Mas precisaram se conter. Tinham o firme propósito de contar apenas para Deus e esperar que Ele respondesse as suas orações e as das crianças nesse sentido. Principalmente das duas crianças, seus filhos biológicos. Lucas tinha apenas quatro anos e Lia seis. Mas levavam muito a sério a idéia dos pais e tinham a vantagem de possuir uma fé infantil, vacina poderosa contra o medo, a insegurança e a expectativa.

Então veio a notícia inesperada. Maria contou de como o açougueiro havia falado de uma criança - era eu - que estava em busca de novos pais. Da avó, que cuidava da criança e havia morrido, da mãe que vivia nas ruas e não podia cuidar, do barraco, da doença, de tudo. Para completar, explicou que eu era cego, surdo, mudo e paralítico. Achei que nesse ponto ela exagerou!

Pelo menos era isso que ela tinha ouvido, embora eu não fosse surdo e nem paralítico. Cego, sim, por causa de uma catarata congênita. Meus músculos funcionavam, embora meus pés estivessem atrofiados por culpa de quatro anos na cama sem cuidados ou exercícios. Não é que eu fosse mudo, só não sabia falar, coisa que até hoje eu não aprendi. Culpa do cérebro, que tem o que chamam de paralisia cerebral, mas acho que só um pouquinho. Bem, eu não era tão ruim quanto Maria descrevera. Só um pouquinho. Se eu tinha algum ponto a favor? Claro, sou super simpático!
cool eh?

Parceiros da Inclusão Escolar
MAGALI BUSSAB PICCHI

Nesta obra a autora defende o processo de inclusão escolar de alunos portadores de necessidades especiais em classes regulares, recebendo uma educação comum. Discute as vantagens e desvantagens deste sistema, sem descuidar das necessidades educacionais individuais desses alunos. É destinado a educadores, “parceiros” que buscam outras soluções para a metodologia de ensino vigente.

"Linha direta com Deus" - "Eu não sou cachorro não!"


Adotamos o Pedro há muitos anos e não sei como é o processo hoje. Sugiro que leia ajudabrasil.org/6.401.html

Enviado por Mario Persona em 26/05/2007


tenho 27 anos de idade, gostaria de adotar uma criança com idade mínima de 3 anos e máxima de 5 anos preferencia de cor branca ou morena. sou funcionáro público com profissão de professor, não sou casado convivo uma parte do tempo sozinho e outra com minha mãe.

Enviado por elson belarmino de sá em 22/05/2007


Pedro ,parabéns pela família que voce tem.Adorei o seu blog,sei que Deus tem um caminho traçado na vida de cada pessoa e o seu sei que foi encontrar amor verdadeiro e dar também porque sei que se pode encontrar amor aonde não se pode imaginar.Um beijo pra sua irmão,vou comprar um livro dela,e acrescentar seu nome na minha pesquisa sobre "a arte e o esporte na educação de crianças com necessidades especiais".Um beijão para vcs. Michelle

Enviado por Michelle Sá em 29/08/2004


Pedro,
Meus parabens pela familia maravilhosa. Adorei o seu blog e os links e até fui lá na Mirella Góes que eu tinha perdido o endereço dela.
Ah, cheguei aqui através do google. Estou fazendo uma pesquisa para um livro que eu estou escrevendo a quatro mãos com minhas colegas terapeutas (recuperação motora-terapia através da dança) relatando o nosso trabalho em uma instituição aqui no Rio.
Vou comprar o livro da tua irmã.
O teu blog e o da Lia já estão nos meus favoritos. Voltarei.
um blog abraço para vocês.

Enviado por Ruth Mezeck em 02/08/2004


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...que meu nome é Pedro e nasci cego e incapacitado de falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não ligava muito para mim e vivi meus primeiros quatro anos deitado de costas com minha perna amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão logo abaixo de meu joelho direito.

Nada de beijos e abraços, brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos foram só de sobrevivência naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido, porque ninguém me ensinou. Depois de desmamado, minha mãe me manteve vivo com uma mistura de água, farinha de mandioca e açúcar que eu tomava em um copo, pois perdi a habilidade de sugar.

Minha avó era quem cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar a alguém. Então... bem, esta é a história que você irá ler em meu diário que, na verdade, é escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo fazer um diário como este. Mas acho que papai vai fazer um bom trabalho tentando adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se pudesse.

Mas não é só para contar minha vida que este blog existe. Papai é escritor e profissional de comunicação e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma pequena ajuda de pessoas que os compreendam. Existe um mundo diferente daquele onde a maioria das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco disso. Isso eu também quero contar.



Minha irmã se inspirou em minha história para escrever este romance que ganhou um prêmio literário e foi escolhido para fazer parte da coleção Anjos de Branco, coordenada pelo escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio e a apresentação é de autoria do escritor José Louzeiro, ambos da Academia Brasileira de Letras. O livro é publicado pela Editora Mondrian.

Minha irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca" preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco". Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia Persona e o livro Uma Luta Pela Vida é muito bom.


Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.

Lia fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e outras pessoas para ir juntando a história toda. Além disso, ela foi procurar informações em antigas correspondências, álbuns de fotos e até em exames médicos e radiografias.


Hoje ela está mais confiante e generosa.
Até ganhei um ursinho!

Ela costumava me levar ao médico, hidroterapia e fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica para consertar meus defeitos de fábrica. Toda hora inventava um "recall" para ver se dava para trocar alguma peça em mim! Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como o papai tem péssima memória, irá recorrer à Lia e ao seu livro "Uma Luta pela Vida" para escrever este blog. Você também poderá ler uma entrevista que a jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com minha irmã clicando aqui.

Tenho também um irmão, Lucas, que é muito legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será? Nunca escutei! Ele é muito generoso também. Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que no chão, para eu não cair, quando fazia muito frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado. Aprendi a fazer isso devagar para ele não acordar.


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