Enquanto eu estava deitado na mesma posição de sempre - de costas - no que parecia ser uma cama em um barraco de favela, Deus estava preparando pessoas que eu não conhecia para me darem um novo lar. Minha avó, que cuidava de mim, morrera poucos dias antes e minha mão vivia nas ruas e parecia não ter condições de cuidar do filho que trouxe ao mundo.
Para evitar que eu caísse da cama, ela amarrava minha perna com uma cordinha, um pouco abaixo do joelho, e quatro anos assim foi tempo suficiente para a corda deixar uma marca em minha pele. Eu estava com quatro anos de idade e tinha um irmãozinho de dois, mas ele sabia se virar bem, ora comendo algo que encontrava no chão ou no lixo, ora dormindo no barraco de algum vizinho. O problema era que eu não podia me virar. Nem na cama, nem em qualquer lugar. Estava preso a um corpo que não me obedecia. Me esqueci de contar que nasci com paralisia cerebral, catarata congênita e outros probleminhas mais. Deve ter sido um parto difícil, pois nasci em um hospital, coisa rara entre as crianças do lugar onde morava. Ficar numa cama sem mudar de posição durante quatro anos fizeram com que meu crânio ficasse mais achatado na parte de trás.
Como a cama devia ser afundada no centro, minha coluna também ficou um pouco vergada. Por não fazer exercícios, meus pés se deformaram, os tendões ficaram curtos e acabei ficando mais incapacitado do que quando nasci, tudo por falta de cuidados. Já pensou quantas crianças estão vivendo hoje assim? Enquanto isso, a mais de mil quilômetros dali Deus preparava novos pais para mim. Eles já tinham conversado a respeito de adotarem uma criança, principalmente depois de papai ter lido a matéria na revista que mexeu muito com ele. A nova mamãe também ficaria sensibilizada com aquilo.
Então aconteceu algo engraçado. Os dois chegaram à conclusão de que havia muita criança saudável no mundo e muitos pais que dariam preferência a crianças saudáveis e sem deficiências. Então meus novos pais decidiram que procurariam adotar uma criança deficiente. Quer dizer, eles não procurariam. Não procurariam porque não iriam atrás, não moveriam uma palha para me encontrar ou a alguém como eu. Iriam simplesmente esperar e orar. Decidiram que não iriam contar pra ninguém, não iriam procurar nenhuma instituição, não iriam perguntar, nadinha. Esperar e orar. Engraçado, né? Será que isso iria funcionar?
Paralisia Cerebral: Linguagem e Cognição SUELLY CECILIA OLIVAN LIMONGI Este livro trata da relação entre a construção da linguagem e o desenvolvimento cognitivo na Paralisia Cerebral. Mostra a importância da visão integrada entre várias áreas do desenvolvimento, tanto para compreensão da patologia como atuação terapeutica.
Lendo a história de Pedro fico imaginando que espírito forte e determinado habita este pequeno corpo.E que espíritos grandiosos tiveram o privilégio de recebê-lo como filho nesta vida. Que o pai maior os abençoe.
olá, me chamo Moniki, tenho 21 anos, sou acadêmica em Fonoaudiologia, cursando o 7 periodo, e minha monografia é sobre PC's, escolhi por que sou muito sensível a essa causa, e agora depois de conheçer o Pedro, se tornou mais forte em mim, me deu mais forças para lutar em prol dessas crianças tão maravilhosas, lindas obras de Deus, e só tenho a dizer o quanto a família Persona é abençoada e dádiva de Deus, queria sempre manter contato com vcs, que Deus os ilumine cada vez mais e sempre, fiquem na paz. um grande abraço.
Oi Pedro! Você já parou para pensar? Você tem o nome de um dos maiores amigos de Jesus - Pedro _ foi que ergueu a primeira igreja, sendo assim o primeiro papa... Não é à toa que você tem esse nome! Você é um iluminado... Enviuado por Deus para ser acolhido pela 'FAMÍLIA PERSONA', que com certeza são anjos de Deus aqui na terra! Beijos a você e toda a sua família.
Enviado por fatima em 14/04/2006
Me chamo Maria Eliete. Moro no Rio de Janeiro, tenho 50 anos (na verdade, acho mesmo que tenho uns.... quase, quase 25...rs), tento ser arquiteta por teimosia, sem conseguir muito. Mas hoje procuro ser mais eu mesma do que qualquer outra coisa desse mundo. Tenho dois filhos muito lindos que vieram da minha barriga e muitos outros que habitam a minha alma. Hoje minha a minha alma adotou o Pedro, se o papai dele deixar, como meu filho tambem. Hoje amo o Pedro como se ele tambem fosse um pedacinho do meu corpo. Pedro, eu te amo, viu? Você é a sintese da minha Esperança no ser humano e a minha dor. Sou bipolar e tenho minha bipolaridade controlada, mas enraizada em mim ao mesmo tempo. Hoje eu chorei pela nossa dor, Pedro, pela nossa Alegria e por nossa Vida. Que Deus os abençoe a todos.
fiquei muito emocionada ao ler sobre a vida de Pedro e muito triste ao imaginar que existem crianças na situação que ele viveu até os quatro anos.Eu tive um filho com síndrome de down que faleceu com oito meses nesse tempo ele teve todo o amor e carinho que pude dar,mas a dor da perda é enorme e inconsolável.Mas Deus me deu forças.
Olá!Sou Cirurgiã_Dentista, especialista em Pacientes com Necessidades Especiais. Confesso que me emocionei com a história de Pedro. Sou Espiritualista e entendo que tudo têm uma razão, nada é por acaso. Deus e o Universo sempre agem a nosso favor e para o nosso crescimento mesmo na adversidade. Muita Luz a toda a família Persona, vcs são muito especiais!
A paz de Jesus, esteja com todos vcs! Não acho bonito este ato de vcs, mas sim abençoado, pois somente os abençoados por Deus podem dar uma prova de amor tão nitida como vcs dão. Sou catolico, trabalho com evangelização infantil, e chego a me emocionar com tanto amor vindo de vcs. Deus os abençõe.....
Que Deus Maravilhoso!!! Que família abençoada! Deus jamais abandona seus filhos, Ele é fiel... Linda história de vida, relato da vida real! Parabéns pela iniciativa de salva a vida de Pedro. Um abraço.
FIQUEI MUITO FELIZ AO LER SUA HISTÓRIA. PEDRO VOCÊ É UMA PESSOA ESPECIAL, ASSIM COMO A FAMÍLIA PERSONA, QUE DESCOBRIU QUE O MAIS IMPORTANTE É O SER HUMANO, NÃO IMPORTA SE TENHA NECESSIDADES ESPECIAIS COMO O PEDRO! MAS QUE TAMBÉM É FILHO DE UM PAI MAIOR!!! PARABÉNS PELA LUTA E PELAS VITÓRIAS!!
Enviado por LAURA RODRIGUES em 03/11/2004
Sou prof. Educação Física, e gostaria de manter contato, trabalho com deficientes físicos aqui em Curitiba, e na quinta conversando com um colega descobri que existe um softwear para PC's posso entrar em contato com ele se vcs quiseem, para obter maiores informações.
É muito bom saber que existem pessoas como a família Persona. É com exemplos assim que mantenho a minha esperança num mundo melhor. Parabéns à Lia pelo lindo trabalho!
Queria dizer que fatos assim me fazem sorrir de felicidade. Fico feliz em saber que existem pessoas com um coração do tamanho da terra. Fico feliz por ter um menino assim, chamado Pedro, com muitos problemas, mas dando amor a este casal que já tinha sua família formada. Fico feliz por existir irmãos que sabem compartilhar. Deus abençoe a esta família, com todo amor, beijos!
Estou com um nó na garganta!! Realmente uma história extremamente linda e recheada de muito amor e bondade. Pedrão é um menino abençoado e, com certeza, apesar de todas as dificuldades que enfrenta, pode ter a certeza que sempre terá uma pessoa ali para ampará-lo! Deus está sempre presente nos corações e mentes daqueles que fazem o bem. Pedrão precisava de ajuda e, como numa passe de mágica Deus o concedeu uma família por inteiro. Felicidades à Família Persona :-)
...que meu nome é Pedro
e nasci cego e incapacitado de
falar ou andar, devido a problemas genéticos, paralisia cerebral, catarata congênita e microftalmia. Minha mãe natural não
ligava muito para mim e vivi meus primeiros
quatro anos deitado de costas com minha perna
amarrada à cama, para não cair. Demorou para eu perder a cicatriz causada pelo cordão
logo abaixo de meu joelho direito.
Nada de beijos e abraços,
brincadeiras ou risadas. Meus primeiros anos
foram só de sobrevivência
naquele barraco muito quente em uma favela. Eu vivia doente, com a
barriga cheia de vermes, e até os 4 anos era incapaz de comer alimento sólido,
porque ninguém me ensinou.
Depois de desmamado, minha mãe
me manteve vivo com uma mistura de água, farinha
de mandioca e açúcar que eu tomava em
um copo, pois perdi a habilidade de sugar.
Minha avó era quem
cuidava mais de mim, pois minha mãe passava a
maior parte do tempo nas ruas. Isso até a avó morrer e minha mãe decidir me dar
a alguém. Então... bem, esta é a história que
você irá ler em meu diário que, na verdade, é
escrito por meu novo pai, pois, como já disse, não
consigo falar, ver, andar, escrever ou até mesmo
fazer um diário como este. Mas acho que papai
vai fazer um bom trabalho tentando
adivinhar o que eu gostaria de contar ao mundo se
pudesse.
Mas não é só
para contar minha vida que este blog existe.
Papai é escritor e profissional de comunicação
e marketing, por isso este blog serve também para mostrar como meus amigos, chamados
deficientes, podem ser pra lá de eficientes com uma
pequena ajuda de pessoas que os compreendam.
Existe um mundo diferente daquele onde a maioria
das pessoas vive e papai decidiu mostrar um pouco
disso. Isso eu também quero contar.
Minha
irmã se inspirou em minha história para
escrever este
romance
que ganhou um prêmio literário e foi escolhido
para fazer parte da coleção
Anjos de Branco, coordenada pelo
escritor Antonio Olinto. É dele o texto do prefácio
e a apresentação é de autoria do escritor José
Louzeiro, ambos da Academia
Brasileira de Letras.
Minha
irmã é enfermeira e cuidou muito de mim, até se mudar para o exterior. Quando
eu vim morar neste lar eu tinha quatro anos e ela
tinha só seis, mas logo me adotou como sua "boneca"
preferida. Ehrr... quero dizer, "boneco".
Ela conta tudo isso no livro. O nome dela é Lia
Personae o livro Uma
Luta Pela Vida é muito bom.
Minha irmãzinha e futura enfermeira
ainda olhava desconfiada em 1987.
Lia
fez um trabalho muito legal de pesquisa a meu
respeito, entrevistando papai, mamãe, vovó e
outras pessoas para ir juntando a história toda.
Além disso, ela foi procurar informações em
antigas correspondências, álbuns de fotos e até
em exames médicos e radiografias.
Hoje ela está mais confiante e
generosa.
Até ganhei um ursinho!
Ela
costumava me levar ao médico, hidroterapia e
fisioterapia, e vivia pesquisando alguma nova técnica
para consertar meus defeitos de fábrica. Toda
hora inventava um "recall"
para ver se dava para trocar alguma peça em mim!
Até equoterapia eu fiz com ela ao meu lado! Como
o papai tem péssima memória, irá recorrer à
Lia e ao seu livro "Uma
Luta pela Vida" para escrever este blog.
Você também poderá ler uma entrevista que a
jornalista Fernanda Do Couto S. Riberti fez com
minha irmã clicando
aqui.
Tenho também um irmão, Lucas, que é muito
legal e ajuda a cuidar de mim. Quando morava em casa dormíamos no
mesmo quarto e ele vivia dizendo que eu ronco. Será?
Nunca escutei! Ele é muito generoso também.
Como a minha cama ficava ao lado da dele, só que
no chão, para eu não cair, quando fazia muito
frio eu puxava o cobertor dele e me cobria dobrado.
Aprendi a fazer isso devagar para ele não
acordar.